Transmissores e receptores de rádio, transceptores, disparadores, ou simplesmente “radio-flash”, estes acessórios são incrivelmente úteis no dia-a-dia. Nos posts anteriores (aqui e aqui), sugeri classifica-los em três tipos básicos. Reproduzo a lista a seguir. (Nunca é demais lembrar):

  • Suporte para o flash;
  • Modificação da sua luz;
  • Disparo do flash.

Já falei sobre os dois primeiros itens. Vamos abordar agora as formas para disparar o flash remotamente. Basicamente, temos outras três possibilidades:

  • Disparo por cabo;
  • Disparo por fotocélula;
  • Disparo por rádio.

Note que a lista acima pode ganhar uma diferença sutil, que veremos logo mais:

  • Controle por cabo;
  • Controle por fotocélula;
  • Controle por rádio.

Disparo ou controle com cabos está longe de ser uma coisa conveniente. Os cabos mais sofisticados com comunicação TTL são muito curtos. Aqueles mais longos, para uso com tochas no estúdio, mais cedo ou mais tarde dão mau-contato ou você acaba tropeçando neles. Sendo assim, vou me concentrar nas opções com fotocélula ou rádio.

Disparo por fotocélula

Muitos modelos contam com uma forma de disparar o flash opticamente, através de uma fotocélula. É muito útil se o que você precisa é apenas disparar um flash, ou mesmo uma tocha de estúdio. Especialmente nos modelos da Yongnuo e Godox, onde isso foi implementado de uma forma muito fácil de usar (modo S1 para fotocélula simples e S2, que ignora pré-flash).

Nos modelos da Nikon é possível acionar essa fotocélula selecionando o modo SU-4 no menu. (Apenas como informação, esse era o nome de um acessório da Nikon para uma fotocélula vendida à parte. Mais tarde, a Nikon optou por acrescentar esse recurso aos novos modelos e manter o nome. Para todos os efeitos, é apenas uma fotocélula normal).

Controle remoto por fotocélula

Uma coisa é disparar o flash remotamente. Outra coisa bem mais interessante é controlar o flash à distância. (Abaixo: interface de câmera e flash Nikon para controlar um flash remotamente). 

Podemos chamar de “fotocélula inteligente”. Neste caso, o flash da própria câmera ou o flash acoplado a ela dispara uma sequência de pulsos luminosos muito rápidos, imperceptíveis, que funcionam como uma espécie de “código morse”. O flash remoto interrompe a sua luz quando recebe um novo comando para se desligar. Sim, tudo isso num piscar de olhos. A coisa é “The Flash” mesmo!

Essa ainda é a forma mais comum, já que muitos modelos de câmera e flash contam com esse recurso faz tempo. Só que este método tem lá suas desvantagens: precisa de uma linha de visão entre o flash de comando e o flash escravo. É muito sensível aos obstáculos do ambiente e o alcance é bem menor que o acionamento por rádio.

Disparo por rádio

Com ele você pode acionar um flash remotamente, a uma distância considerável, como a uns 30 metros, em lados opostos de um salão. Pode até mesmo usar através de obstáculos mais densos, como uma cortina, ou mesmo plantas. Abaixo, um modelo simples, apenas para disparar um flash remotamente, sem ajuste de potência à distância.

Aos poucos, os flashes propriamente ditos estão passando a vir com o rádio incorporado, o que é uma vantagem, pois é um acessório a menos para você carregar. (Abaixo).

O modelo acima é o mais simples da Godox atualmente. O TT560 II é totalmente manual, mas já vem com um receptor de rádio incorporado e também conta com fotocélula simples (S1 e S2). O transmissor que o acompanha fica minúsculo sobre a câmera, o que é bom, mas não oferece controle algum. Apenas dispara o flash. Não o recomendaria como flash principal, mas pode ser uma opção interessante em algumas situações, como criar uma luz de fundo.

Controle remoto por rádio

Além de fotocélulas, outra forma de controlar o flash remotamente é usar os disparadores via rádio, próprios para flash. Diversos fabricantes tem uma versão própria. A Canon foi uma das primeiras. Infelizmente é um sistema proprietário, ou seja, só funciona com os flashes do fabricante.

Alguns modelos são compatíveis com os sistemas da Canon e Nikon. Por exemplo, o Yongnuo YN600EX-RT II é um que utiliza o mesmo sistema da Canon (como se não bastasse ser praticamente idêntico ao flash da Canon por fora).

Se você não tiver um flash com controle por rádio embutido, ainda há a opção de adquirir transmissores e receptores à parte, como os modelos da Yongnuo:

Uma outra opção mais completa que a solução da Yongnuo são os disparadores X1, da Godox:

Transmissor Godox X1. Há dois modelos diferentes, um é transmissor e o outro apenas receptor.

Mais do que permitir que o seu flash seja disparado fora da câmera, o disparador X1 acima é a porta de entrada para um sistema completo, que vai de modelos compactos como o TT685 ou tochas pequenas, como a Godox AD200 acima. A partir do disparador X1, o sistema da Godox controla até mesmo tochas muito sofisticadas, como a AD600, que conta com fotometria TTL, luz de modelagem LED e bateria de lítio. Todos com receptores de rádio embutidos.

Soluções proprietárias

Como disse antes, todas esses disparadores são específicos para cada fabricante. Se você se interessou pela grande variedade de opções da linha Godox, terá que adquirir o X1 exibido acima. Se quiser usar o sistema Canon, terá que adquirir dois flashes 600EX-RT. (Ou um flash e o disparador ST-E3-RT, vendido à parte). Se quiser economizar, use os flashes da Yongnuo equivalentes, no caso, o YN600EX-RT. Se quiser manter o seu flash atual, pode disparar remotamente com o YN622 (versões para Canon ou Nikon). Ainda assim, terá que fazer uma compra de flash ou disparador específica para o fabricante da sua câmera.

Disparadores Cactus V6 II

O que nos leva aos transceptores V6 II, da Cactus, que prometem a grande façanha de controlar diversos modelos de flash, de fabricantes diferentes, atuarem todos em sincronia num mesmo sistema e com câmeras de praticamente todos os fabricantes. Sim, isso mesmo! Com eles é possível usar uma câmera Nikon e controlar flashes remotos da Canon e Nikon simultaneamente.  O contrário também: câmera Canon com flashes Nikon, ou ainda, câmera Fujifilm com flashes Godox, Nissin, etc. As possibilidades são inúmeras. Um verdadeiro tour de force de engenharia. 

Com esses disparadores da Cactus, você passa a ter muito mais liberdade na hora de escolher qual flash remoto irá comprar. Inclusive aqueles bem usados, a muito tempo encostados nas vitrines das lojas, pode ser que com isso ganhem um novo uso. Mesmo que o flash em questão não tenha o seu “perfil” pré-instalado no Cactus, existe a possibilidade do sistema “aprender” o protocolo de comunicação deste flash. Interessante, não é? As possibilidades com o Cactus são muitas e merecem uma postagem à parte. Aguarde!

Disparo e controle remoto do flash por wifi – o futuro?

Como vimos, há várias soluções para disparo remoto do flash. Algumas mais sofisticadas que as outras. Abordei as que são mais comuns no mercado brasileiro. Excessão para o Cactus que, por algum motivo, é bem difícil de encontrar por aqui, infelizmente.

O curioso é que muitos desses sistemas não existia há meros dez anos atrás. Aliás, existem muitos outros que nem citei aqui, mas o fato é que todos os fabricantes estão correndo atrás de uma solução própria. Ninguém quer ficar de fora. 

O que me faz pensar, como essa tecnologia vai evoluir? O que usaremos daqui a cinco ou dez anos? Ainda será necessário um disparador específico para cada marca? Me permita um pouquinho de futurologia, mas não duvido nada que alguns tentem criar soluções com disparo do flash por wifi ou bluetooth. Já existe um sistema da broncolor que pode ser configurado por wifi, o Siros 400 L, embora ainda requeira um transmissor à parte. Fazer com que ele seja disparado por wifi me parece o próximo passo.

Puxa, já temos até um fotômetro que se conecta diretamente ao iPhone! Do jeito que a coisa vai, talvez um dia até possamos disparar o flash com seu celular… mas essa é uma outra história.

Posted by Yuri Pimenta

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