Dicas que valem para qualquer câmera, até um celular.

Criar uma foto com uma composição interessante é tão importante quanto aprender a usar bem uma câmera, seja que equipamento for. Composição é fundamental! Não é à toa que o assunto domine as conversas entre fotógrafos, além de equipamento e negócios.

Hoje, com a diversidade de câmeras disponíveis e com a onipresença dos celulares, nunca foi tão fácil estudar composição na fotografia. Então, acredite quando digo que você fará fotos melhores até com um celular. 

Yuri Pimenta - curso básico de fotografia - composição

A seguir, uma série de regras clássicas, muito conhecidas por qualquer fotógrafo. Aliás, muitos desses conceitos já existiam antes mesmo da fotografia existir, pois ja eram aplicados no desenho e pintura.

A lista sugere uma ordem crescente de complexidade, mas não há necessidade nenhuma de segui-la à risca. Tampouco é uma lista definitiva, pois há outros conceitos que não foram abordados aqui. Observe também que muitas dessas fotos abaixo apresentam mais de um conceito ao mesmo tempo.


1 – Planos de corte

  • Plano fechado mostra apenas um detalhe de um objeto ou pessoa, como o rosto, por exemplo.
  • Plano médio, numa pessoa, mostra um pouco mais do corpo, geralmente do rosto até a cintura.
  • Plano aberto mostra todo o ambiente, situando uma pessoa no mesmo. Contextualiza.

 

2 – Primeiro plano e plano de fundo

Objetos ou pessoas em primeiro plano costumam ser os protagonistas.

Estes elementos visuais chamam mais a atenção naturalmente. Por outro lado, uma outra coisa que devemos ter em mente é que o plano de fundo, mesmo desfocado, sempre dialoga com o primeiro plano. Dá contexto à imagem. São os “atores coadjuvantes”.

  • Fotos da coruja e da bolha: contexto urbano como plano de fundo.
  • Os bonecos: a ação principal se desenrola no primeiro plano entre eles, como se estivessem conversando entre si. Já o fundo com os corações dão contexto à ação do primeiro plano.
  • As crianças estão no primeiro plano e naturalmente compõem o assunto principal. Ao mesmo tempo, o parque dá contexto à cena como plano de fundo.

 

3 – Sentido de leitura

Para onde o seu olhar caminha sugere como a foto vai ser vista.

Esquerda, direita, esquerda…  o cavaleiro se desloca para a esquerda. O outro homem caminha em direção à direita ao longo do corredor da biblioteca. A moto se desloca para a direita no asfalto molhado. Em cada foto o sentido de leitura está bem claro e permite “passear” com os olhos pelo resto da imagem.

4 – Linhas – paralelas, diagonais, curvas e sinuosas

Linhas na fotografia, reais ou sugeridas, são fortes elementos compositivos. Chamam muito a atenção logo ao primeiro olhar.

  • Nas diagonais, temos linhas que cortam a composição sem ser na vertical ou horizontal. Elas são oblíquas e sugerem movimento. O olhar “cruza” a foto acompanhando as linhas.
  • As linhas paralelas, verticais ou horizontais, além de chamarem a atenção para si mesmas, podem “dividir” a foto em regiões menores ou criar um padrão, justamente por estarem repetidas.
  • Árvores formando paralelas verticais. Visivelmente, este é o elemento que mais chama a atenção na foto.
  • No caso das linhas curvas, o olhar caminha pelo “desenho” traçado por elas. As curvas dão muito movimento à composição.

 

5 – Regra dos terços

Os objetos no cruzamento das linhas de terço normalmente tem um peso muito grande na composição. Chamam muito a atenção para si, mais do que simplesmente enquadrar no centro.

  • A flor foi posicionada no terço inferior direito. Veja na sobreposição das linhas.
  • Observe com a coruja foi posicionada aproximadamente no cruzamento entre a linha de terço à esquerda e a linha de terço de baixo.
  • Na foto da praia, o casal e o arranjo com flores estão posicionados nas linhas de terço verticais.  A linha do horizonte está na linha de terço inferior. Tanto o casal quanto o arranjo de flores estão próximos ao cruzamento das linhas de terços opostos. 
  • Tanto a foto do parque com o lago quanto a silhueta das antenas ocupam o terço inferior da imagem. Isso “assenta” a paisagem na foto, ao mesmo tempo que dá mais “área de respiração”.
  • O menino no balanço: tanto o Sol quanto o menino ocupam a região do terço superior esquerdo. A mãe ocupa o terço inferior direito, no extremo oposto. O Sol, o menino, a mãe e a cadeira de balanço vazia constituem juntos uma diagonal que corta a foto. Além disso, o menino está em primeiro plano, o que dá mais ênfase a ele.

 

6 – Ponto de vista 

É o seu posicionamento em relação ao que você fotografa.

Frutas: às vezes, se deslocar meio metro faz toda a diferença na composição. Foi possível isolar as frutas do ambiente apenas abaixando a cabeça.

Arquitetura: aqui foi necessário andar um pouco mais. Ainda assim, a diferença entre as duas fotos é marcante.

Cuidado por onde pisa! Veja essa asa de borboleta, depois da chuva. Às vezes, boas fotos estão bem sob os seus pés, literalmente.

7 – Molduras

Um objeto no entorno da foto que enquadre o assunto principal.

Uma moldura numa foto pode ser uma árvore ou qualquer outro objeto. De um modo geral, a moldura contextualiza este assunto no ambiente à sua volta. Às vezes, a moldura é tão visível e marcante na composição que ela mesma passa a ser o assunto principal. Você não precisa ver a moldura (ela pode ser uma silhueta). Desde que seja possível entender o que é a moldura propriamente dita, pode ser qualquer coisa.

 

8 – Perspectiva

Uma forma de dar profundidade a uma fotografia.

Um objeto no primeiro plano e repetições ou continuação do mesmo para o plano de fundo. Nos dá um senso de tridimensionalidade. De forma análoga ao conceito de “sentido de leitura”, permite conduzir o olhar pela profundidade do ambiente registrado.

9 – Escala

Um objeto de tamanho conhecido que evidencie o tamanho de outros.

O exemplo mais simples é usar uma pessoa como referência para o tamanho de construções. Também podem ser outros objetos (ou animais), desde que fique evidente a proporção entre eles.

 

10 – Variações da composição

Não fique parado no mesmo lugar!

Ande um pouco. Experimente outros pontos de vista. Olhe para cima e para baixo. Veja o mesmo objeto de todos os ângulos. Fotografe com a câmera na horizontal e vertical. Volte no mesmo local algumas horas depois, ou mesmo na próxima estação do ano, se for possível. Varie a técnica, faça a mesma foto com aberturas e velocidades diferentes, tente outras objetivas e filtros. Enfim, varie a composição, explore mais os temas que você deseja fotografar. Você irá se surpreender com as fotos que vai conseguir. E mesmo que você tente repetir alguma foto, com mesmo ângulo, lente, abertura e hora do dia, é provável que você obtenha uma foto bem diferente cada vez que abordar o mesmo tema.


Vá além do básico

Lembre-se que estas dicas são só o início. Há mais conceitos que não foram abordados aqui. Além disso, estas regras podem ser “quebradas” de vez em quando. Com o tempo você irá perceber quando cabe sair do básico e tentar novas idéias. Vai começar a identificar e experimentar novos “caminhos”, talvez até desenvolvendo um estilo próprio.

Um bate-papo com outros fotógrafos também costuma ser uma ótima forma para analisar suas fotos. Há muitos livros sobre fotografia disponíveis. Leia muito e veja sempre novas referências. Isso com certeza vai ampliar muito o seu repertório fotográfico.

 


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Posted by Yuri Pimenta

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